Eu acho que o esoterismo ocidental transforma a mitologia cristã em diversos seres com características diferentes, também se associando ao passado politeísta. Por exemplo, Hermes Trimegisto, que é uma fusão do deus Hermes com Thoth, mas para o qual há uma característica cristã, principalmente na modernidade. As edições modernas (1600s) do Corpus Hermeticum é de Hermes falando com Tat, seu discípulo, mas sempre falando da grandiosidade de Deus e de suas capacidades, algo que eu acho que encaixa bem na modernidade europeia. Além disso existe a Alquimia e outros diversos conteúdos esotéricos como a necromancia ao lidar com o passado esotérico europeu.
Mas falando do cristianismo, é claro que há uma característica dual forte entre o bem e o mal, mesmo que os anjos e os santos sejam figuras quase com características de Deus, mas sempre respeitando a característica una e original de Deus (a causa do Todo e de Tudo). No esoterismo ocidental, os magos invocam ou os espíritos do bem/celestiais, ou os demônios. Não há um meio termo, embora ele raramente exista com a invocação de espíritos elementais, algo mais recente.
A resposta é sim, há uma dualidade forte, principalmente a partir da modernidade europeia, aonde os livros e a capacidade de autoexpressar se tornaram mais comuns. Antes disso, acredito que nem havia espaço para a dualidade, sendo importante garantir e especificar a importância de Deus, ao invés de "gastar tempo" pensando/escrevendo sobre o Mal.
Fontes: Tomás de Aquino/Avicena para pensadores medievais que se concentravam em falar da importância/características de Deus, falando raramente dos ateus também.
Uma porção de podcasts, mais livros sobre teurgia e outros assuntos lidos para falar do esoterismo ocidental.