Comunismo

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Comunidade para discussões em geral relacionadas à teoria e prática marxista. ☭☭☭


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Mas os trabalhadores também precisam de tempo para si mesmos e para seus amigos e familiares. O pagamento de horas extras e os aumentos não podem substituir o que mais precisamos: o nosso tempo de volta.

Quando Frank Carrico fala sobre por que ele e seus colegas de trabalho na Heaven Hill Distillery entraram em greve, ele fala sobre a família. “Eu perdi as atividades dos meus filhos” por causa dos turnos forçados de fim de semana, ele diz. “Perdi muita coisa, e não quero que os jovens que vêm depois de mim passem por isso.”

Quando conversamos, os trabalhadores da destilaria tinham acabado de sair de uma greve de seis semanas, exigindo manter uma semana de trabalho de quarenta horas, de segunda a sexta-feira, com pagamento de horas extras para além disso.

Os trabalhadores da Frito-Lay entraram em greve neste verão para acabar com os “turnos suicidas”: turnos de doze horas consecutivas com apenas oito horas de intervalo entre eles. Mais tempo entre turnos extra longos também estava entre as demandas que levaram membros de equipes de filmagem e TV a autorizar uma greve. Trabalhadores têxteis na Itália entraram em greve para acabar com semanas de trabalho de oitenta e quatro horas (e tiveram uma grande vitória).

Um meme popular nas redes sociais nos faz lembrar: “Tem um fim de semana? Agradeça aos sindicatos!” Mas muitos trabalhadores, sindicalizados ou não, não têm fim de semana — e certamente não têm o que os grevistas de Haymarket em 1886 exigiam: “Oito horas para trabalhar, oito horas para descansar, oito horas para o que quisermos.”

Greves e a pandemia estão expondo como muitos de nós, desde fábricas da Nabisco até sets de filmagem, estamos trabalhando turnos de doze horas, às vezes por dias consecutivos. Essas horas extras cobram seu preço. Estudo após estudo tem mostrado que jornadas de trabalho mais longas levam a vidas mais curtas e a um risco maior de doenças cardíacas. Horas mais longas também levam a vidas mais restritas — com menos tempo para a família, lazer e o que quisermos.

Ao longo de décadas de luta, os sindicatos conquistaram a jornada de oito horas. E, ao longo de décadas de negociação, muitas vezes a devolveram ao concordar com esquemas de horas extras que associam o aumento de salário ao aumento de trabalho. Isto (combinado com a estagnação ou queda dos salários reais) faz com que os trabalhadores estejam sempre se esforçando para recuperar o atraso. As horas extras podem ser “voluntárias”, mas se tornam necessárias para fazer as contas fecharem — ou muito tentadoras para serem ignoradas.

Um ex-presidente do sindicato de professores me disse que teve que exigir que a equipe do sindicato não oferecesse tempo por dinheiro nas negociações. “Os representantes sindicais só queriam obter o aumento percentual”, disse ele. “Mas nós queríamos controle sobre nossa jornada de trabalho.”

As equipes de filmagem e TV conquistaram um acordo onde a gerência agora tem que pagar multas adicionais por longas jornadas ou intervalos curtos entre turnos. Mas, embora uma multa possa ser pensada como um dissuasor, o cálculo da gerência diz: “Eu ganho dinheiro suficiente com o seu tempo para pagar essa multa.” Carteiros e motoristas da UPS sabem como essa rotina funciona — os representantes sindicais reclamam, a gerência paga, e na próxima semana isso se repete.

Uma vez que você trocou tempo por dinheiro, o chefe vai atrás do dinheiro também.

A gerência da Nabisco estava tentando retirar os prêmios de fim de semana e o pagamento de horas extras após oito horas. Eles queriam um Horário de Trabalho Alternativo, onde todos trabalham doze horas por dia, incluindo fins de semana, com o pagamento regular.

O acordo final cria um cronograma de dois níveis. Os trabalhadores atuais mantêm sua semana de segunda a sexta-feira, mas o Terrível Horário de Trabalho se aplica aos novos contratados. Muitos trabalhadores podem querer o pagamento de horas extras e o que isso lhes permite comprar. Mas aceitamos uma falsa escolha: você tem tempo ou dinheiro, mas não os dois. As nossas vidas acabam circunscritas pelas demandas do trabalho. A nossa imaginação para “o que quisermos” se reduz a dormir e fazer um lanche rápido.

Em vez de lutar dentro do quadro que os chefes nos dão, devemos lutar pela vida que podemos criar além desse quadro. Uma vida que nos permita nos conhecer como mais do que trabalhadores — como membros da família, amigos, aliados políticos, atletas, artistas, músicos, ou até mesmo desocupados.

O chefe sabe disso: seu tempo é a mercadoria mais preciosa que existe.

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Banco público de fomento está sendo utilizado para promover privatizações e enfraquecimento do poder público a serviço de interesses privados, como mostra o caso da privatização da COSANPA, estatal da água no Pará.

Welfesom Alves | Redação PA

BRASIL – Por definição, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é uma entidade vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e deveria servir para fortalecer a economia brasileira por meio da iniciativa pública. O anúncio da COP-30 (evento internacional que reúne nações e grandes capitalistas para discutir as mudanças climáticas e as possibilidades de lucrar com elas) em Belém, levou o Governo do Estado do Pará e a diretoria do banco a dialogar sobre a possibilidade de investimentos na ordem de R$5 bilhões, sendo R$3 bilhões na linha de financiamento de estados e municípios. O Pará é rico, possui capacidade de endividamento, e ainda assim submete seu povo à pobreza.

Acontece que os projetos deste banco deveriam servir para que o poder público se fortalecesse, utilizar os recursos a serviço do povo pobre. Contudo, a agenda de privatizações praticada pelo Governo Helder Barbalho (MDB) no Pará e a conivência da gestão da presidência do banco, de Aloizio Mercadante, buscam permitir o avanço da privatização da água e encarecimento do custo de vida da classe trabalhadora.

BNDES e a modelagem

Em evento no dia 2 de junho de 2023, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB) anunciou que a concessão da água e saneamento no Pará estava sendo realizada pelo banco como parte da agenda da COP-30. Com esse nome pomposo de concessão, busca-se entregar um bem necessário à vida humana para gerar lucro.

Na proposta do BNDES, a concessão para as empresas seria de 40 anos, com um investimento previsto de R$18 bilhões escalonados a cada 5 anos para alcançar 5,4 milhões de pessoas. Para a execução do plano, o Pará seria dividido em 4 blocos de concessão composto por: A – Região Metropolitana de Belém e Marajó; B – Nordeste do Pará; C – Oeste do Pará; e D – Sudeste do Pará.

O sistema de água e saneamento é composto por: Produção, Distribuição, Esgotamento Sanitário, Gestão Comercial e Água e Esgoto dos SAAEs (Serviço Autônomo de Água e Esgoto). Na concessão, a COSANPA passa a existir apenas no Bloco A, sendo responsável apenas pela produção de água, todo o resto passa a ser de responsabilidade das concessionárias, onde a COSANPA será obrigada a vender água potável para essas empresas a um preço abaixo do que hoje vende, passando de R$4,59 para R$1,70 por m³ (metro cúbico) de água tratada.

O esgotamento sanitário é praticamente inexistente no Pará. 118 municípios não possuem nenhum tratamento de esgoto e 13 tratam abaixo de 10% do esgoto que é despejado integralmente nos rios (inclusive os que são de origem hospitalar). Contudo, isso não é falta de capacidade da COSANPA ou dos trabalhadores e sim da gestão dos governos anteriores e ineficiência do setor privado onde já há. No estado há uma tarifa de 60% que incide sobre a conta de água que deveria ser destinada para a universalização do serviço de esgotamento sanitário, porém o recurso não chega a ser visto.

Universalização do serviço

Para abrir caminho ao setor privado o governo golpista de Michel Temer (MDB), então presidente da República em 2018, editou a Medida Provisória 868/18 que alterou o Marco Legal do Saneamento esvaziando o controle social nos municípios e privilegiando as concessões. Mas foi no governo do fascista Jair Bolsonaro que o Projeto de Lei é sancionado. Resumindo, incentiva o aumento do controle da água e saneamento de empresários do setor ou não, basta que paguem mais pela outorga (concessão).

A meta oficial do novo marco é alcançar a universalização do serviço até 2033, onde 90% da população deve ter acesso ao esgotamento sanitário e 99% deve ter acesso à água potável. No projeto elaborado pelo BNDES, o acesso à água é alcançado em 2033 e o esgotamento sanitário em 2037, portanto fora do prazo, e para atingir tais metas serão necessários investimentos de R$18 bilhões de reais, mas o que não se diz é que hoje estão investidos R$2 bilhões pela COSANPA que serão entregues à iniciativa privada sem compensação alguma ao estado.

Outro ponto é que no capitalismo o povo não pode ter tudo, não pode ter pleno emprego porque os empresários ficam sem o seu exército de reserva, perdem a capacidade de demitir a qualquer momento e são pressionados a aumentar os salários, e não pode ter água e saneamento básico pois o plano não contempla trabalhadores rurais.

Articulação e luta

No dia 05 de junho, o Sindicato dos Urbanitários do Pará, categoria que atua na COSANPA, promoveu um seminário para discutir o plano de modelagem e apresentar propostas de luta contra a privatização do serviço de água. A Unidade Popular (UP), o Movimento Luta de Classes (MLC), Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), Movimento de Mulheres Olga Benário, entre outras organizações e coletivos fortaleceram a atividade para conduzir a luta no estado.

Em entrevista para o jornal A Verdade, Marcos Montenegro, que é engenheiro e membro da coordenação do Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (ONDAS) destaca que a saída não é a privatização: “Nós primeiros vimos a gravidade dos problemas que existem no serviço prestado à população do Pará, por outro lado discutimos também que a privatização não é a saída. Foi feita uma crítica à política implementada pelo atual governador [Helder Barbalho] com o apoio lamentavelmente do BNDES. Não vai ser por meio da concessão de serviços essenciais que vai se resolver o problema do acesso”.

Já Juliano Ximenes, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFPA, em Belém, e conselheiro do ONDAS ressalta os interesses imperialistas na Amazônia: “É muito grave porque é um esforço desses segmentos reacionários no sentido de ampliar a esfera das mercadorias, de transformar a água numa mercadoria no sentido mais completo, isso vai implicar em desigualdades muito graves e têm uma ameaça à sobrevivência da população trabalhadora, e a luta é para colocar isso no debate público. Devemos criar um foco de resistência para criar uma crítica sistemática, e é muito grave porque o Pará, assim como o Amazonas, como tem uma disponibilidade de recursos hídricos de água doce superficial, um processo desse pode representar a perda de soberania, porque você pode exportar essa água, dando origem a expropriação por esses agentes internacionais, empresariais, enfim, norte-americanos, canadenses, belgas, franceses, espanhois, alemães, que são os principais atores”.

Também conversamos com Luís Alberto Rocha, professor da Faculdade de Direito da UFPA e assessor jurídico da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU) que pontua a necessidade de ouvir o povo paraense: “A principal questão do BNDES modelar o saneamento é não ter a perspectiva do Pará. Temos muita capacidade instalada que poderiam ser consultados para fazer a análise da modelagem do saneamento. O que tem acontecido é que a gente importa um modelo que não leva em consideração o povo paraense e faz um olhar exclusivamente sobre eficiência econômica, e quando tratamos de serviço público envolve a qualidade de vida das pessoas”.

Governos temem revoltas populares

Não é simples entregar um bem público, os capitalistas buscam desde 2016 viabilizar o caminho para ampliarem seus lucros, esbarram em interesses locais e regionais, mas acima de tudo tem medo que a classe trabalhadora se organize. A tradição brasileira é de orgulho do trabalhador e de todas as suas conquistas. A COSANPA é resultado do esforço diário dessa classe que hoje vê uma defasagem de pelo menos 70% do seu quadro de funcionários.

Não seria a primeira vez que um povo se revolta para garantir água de qualidade. A Guerra da Água de Cochabamba (cidade da Bolívia onde ocorreu a revolta) se deu entre janeiro e abril do ano de 2000, assim ficou conhecido o movimento que reestatizou a água no país, possível apenas com ampla organização popular.

Entrevistado pelo Jornal A Verdade, Waldir, diretor do Sindicato dos Urbanitários do Estado do Pará, indica os motivos da precarização do serviço: “O sindicato está mobilizando as entidades e a população para se somarem na luta. O que é que está por trás do interesse da privatização? Esse é um ponto importante que precisamos apresentar para os deputados e para a população, que está sendo feito um sucateamento muito grande por parte do governo do estado através da diretoria da COSANPA para que a população tenha essa visão de que a iniciativa privada é quem vai prestar um bom serviço”.

O Movimento Luta de Classes (MLC), junto à Unidade Popular, o Movimento de Mulheres Olga Benário e Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), esteve realizando denúncias sobre a falta de água no bairro da Marambaia e constatou o interesse da população em lutar pela garantia de um serviço de qualidade. Gian Victor, do MLB, destaca o caminho da luta popular: “É importante para mostrar a indignação do nosso povo, que em sua maioria é contra a política de privatização, também é uma forma de defender nosso direito a um item básico que é água e saneamento e mostrar que a água não deveria ser uma mercadoria e sim um direito garantido a todos os trabalhadores”.

Como podemos constatar não temos saída nos parlamentos, nos resta as ruas, principal elemento para mudar qualquer correlação de forças. É inaceitável que uma medida que vai atingir diretamente o povo, não passe por debates, audiências públicas, já que o que aconteceu com a CELPA é um exemplo de que a privatização apenas tornou o serviço mais caro. Podemos virar o jogo nos acréscimos se entendermos que o destino da classe trabalhadora é dirigir a produção, as relações sociais, o mundo.

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A mobilização militante dos estivadores no principal porto da Grécia, Pireu, no sábado, 15 de junho, levou ao cancelamento da chegada do “MSC ALTAIR”, um navio porta-contêineres que transportava armamentos e munições para Israel.

Como noticiou o diário “Rizospastis”, o MSC ALTAIR iniciou o seu itinerário a partir de Valência, Espanha, e deveria chegar a Israel via Pireu. Segundo informações, o navio cargueiro transportava munições e outros materiais de guerra destinados a serem utilizados contra os palestinos, no genocídio promovido pelo Estado sionista em Gaza.

O ENEDEP (Sindicato dos Portuários do Pireu) declarou a sua firme recusa em fornecer qualquer assistência ao navio de carga, forçando-o assim a mudar a sua rota em direção à Itália. “Nós, os estivadores do Pireu, declaramos que não aceitaremos descarregar o navio”, afirmaram num comunicado, acrescentando: “Não participaremos no massacre de pessoas inocentes para o lucro de poucos. Estamos criando nossos filhos com humanidade e através de nossas lutas lhes ensinamos uma lição de solidariedade, resistência e orgulho”.

Em comunicado, a Assessoria de Imprensa do CC do Partido Comunista da Grécia (KKE) denunciou “a chegada ao porto do Pireu do cargueiro MSC ALTAIR que, entre outras coisas, transporta material de guerra, tendo Israel o destino final. [...] Isto é mais uma prova dos planos do governo grego para o envolvimento cada vez mais profundo do país nos planos dos EUA-OTAN e do seu apoio ao ‘assassinato de Estado’ de Israel, à custa da luta do povo palestino”.

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Frei Betto: direita, volver! - Revista Opera (revistaopera.operamundi.uol.com.br)
submitted 9 months ago by NoahLoren to c/comunismo
 
 

Seria a história pendular? Uma no cravo e outra na ferradura? O fato é que nessa primeira metade do século XXI o mundo retrocede à direita.

O que entendo por direita? São de direita todos os negacionistas, aqueles que preferem mentiras às certezas das ciências. São de direita os racistas, os homofóbicos, os misóginos, os que se julgam superiores a todos que não têm a mesma cor de sua pele.

São de direita os que negam à mulher o direito de decidir sobre o próprio corpo, não admitem o aborto em determinadas circunstâncias, mas apoiam a pena de morte e aplaudem policiais que matam bandidos e suspeitos de crimes, e se omitem enquanto o governo de Netanyahu massacra a população civil de Gaza.

A política de direita quer o Banco Central autônomo do governo de seu país, porém dependente do sistema financeiro internacional. Abomina refugiados, grita contra a Rússia por ocupar a Crimeia e se cala frente à ocupação de Guantánamo e de Porto Rico pelos EUA.

O que se enxerga no fim desse túnel? Pelo que ensina a história, guerras. A ampliação global dos conflitos regionais, como ocorreu na primeira metade do século passado.

A democracia liberal tem um limite: a supremacia da acumulação do capital em mãos privadas. Todas as vezes que esse privilégio é ameaçado, os democratas aposentam as urnas, rasgam as Constituições e colocam as tropas na rua. Por meio de golpes de Estado ou eleições, instalam governos ditatoriais em nome da ordem, dos bons costumes e da defesa de Deus, família e propriedade.

Na primeira metade do século XX, foram os casos de Hitler na Alemanha; Mussolini na Itália; Franco na Espanha; Salazar em Portugal; Duvalier no Haiti; Somoza na Nicarágua; Trujillo na República Dominicana; Stroessner no Paraguai; e Vargas no Brasil. O período conheceu duas grandes guerras que tiveram a Europa como palco principal: a primeira, entre 1914 e 1918, e a segunda entre 1939 e 1945. As duas deixaram um saldo de pelo menos 70 milhões de mortos!

Antonio Candido dizia que a maior conquista do socialismo não ocorreu nos países que adotaram esse sistema, e sim na Europa Ocidental. Com medo do comunismo, a burguesia europeia preferiu entregar os anéis a perder os dedos. Implantou a social-democracia e ampliou os direitos da classe trabalhadora.

Derrubado o Muro de Berlim, a burguesia arrancou a máscara e exibe, agora, sua verdadeira face, a que defende a militarização das relações diplomáticas e a supremacia da acumulação do capital privado sobre o exercício dos direitos humanos. Assim, implanta governos autoritários declaradamente de direita, tolerantes com a ascensão neonazista e intolerantes com as políticas sociais dos governos progressistas. Exige ajuste fiscal e sonega impostos. As recentes eleições para o Parlamento Europeu reforçaram os partidos de centro-direita. A União Europeia se submete, hoje, aos ditames da Casa Branca.

A esquizofrenia política se acentua. Apesar de tantos eventos internacionais em prol da preservação ambiental, do combate à fome e da paz, os acordos assinados não são levados à prática. Não há força política que detenha o uso de energia fóssil, o aumento dos gastos em armamentos (em 2023, no mundo, somaram 2,4 trilhões de dólares), e os conflitos em vários pontos do planeta.

Hoje, quase 1 bilhão de pessoas passam fome no mundo. Apenas dez empresas controlam o mercado de alimentos: Nestlé, PepsiCo, Unilever, Mondelez, Coca-Cola, Mars, Danone, Associated British Foods (ABF), General Mills e Kellogg’s. Todas europeias ou estadunidenses, e centradas na produção e venda de ultraprocessados, que causam danos à saúde humana.

Segundo a Oxfam, elas faturam, por dia, 1,1 bilhão de dólares. O consumidor que vai ao supermercado e encontra variedade de produtos ignora que muitos pertencem à mesma empresa.

Como se altera essa conjuntura? No caso do Brasil, reforçar o governo Lula, porque a alternativa é a volta da caserna golpista; atuar intensamente nas eleições municipais de outubro em prol de candidatos progressistas; e retomar o trabalho de base. Redes digitais não são ruas. As redes fazem ruído, mas as ruas falam mais alto. Movimentos sociais, sindicais e pastorais precisam voltar aos protestos e reivindicações públicas.

No âmbito mundial, apoiar a constituição de uma nova governança global que tenha caráter mais democrático, atuação mais efetiva e supere a inoperância da ONU. Estabelecer a regulação das redes digitais, de modo a submetê-las às leis constitucionais dos países e à Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Mas será que haverá tempo para implementar medidas antes que irrompa um novo conflito mundial? O tempo dirá.

O texto não reflete exatamente minhas opiniões pessoais, eu apenas resolvi compartilhar ele por ser um artigo de opinião recente de um veículo de esquerda.

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Uma onda de mobilizações populares em defesa da soberania nacional vem acontecendo em países como Mali, Burkina Faso e Níger. Levantes militares tomaram o poder e pressionaram pela expulsão das forças militares francesas de seus territórios. Esses grupos enfrentam o controle externo sobre os recursos naturais e têm recebido apoio de diferentes setores da população.

O Níger, por exemplo, é considerado o terceiro maior produtor de urânio do planeta, embora até agora quase a totalidade da exploração do minério no país tenha sido realizada por empresas francesas, em um modelo de exploração neocolonialista que perdurou após a independência do país na década de 1960.

Em julho de 2023, quando um levante militar derrubou o então presidente do Níger, sanções severas foram aplicadas pelo ocidente, afetando toda a população, especialmente as pessoas do campo. A pressão imperialista, com a França à frente, é para que as forças militares da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) intervenham no país, o que tem sido rechaçado pela União Africana e, de forma mais veemente, pelos vizinhos Burkina Faso e Mali, que compõem a Aliança dos Estados do Sahel.

Nesse contexto, a Via Campesina e outras organizações populares têm alavancado campanhas de denúncia das sanções e das ingerências imperialistas no país e de defesa das camponesas e camponeses nigerinos. “O caminho para uma verdadeira paz na África Ocidental e Central passa pela total e plena soberania dos povos. As intervenções neocoloniais devem parar”, a organização afirmou em declaração de 2023.

Para compreender o contexto político atual e os desafios das lutas populares por soberania nacional no país, Capire conversou com Aminata Gado, integrante da Plataforma Camponesa do Níger [Plateforme Paysanne du Niger – PFPN], vinculada à Via Campesina.

**Leia a entrevista abaixo

Capire: Em 26 de julho de 2023, a guarda presidencial do Níger avançou contra o presidente anterior, Mohamed Bazoum, e liderou um levante militar que levou ao poder uma junta militar liderada pelo general Abdourahamane ‘Omar’ Tchiani. Você pode nos contar brevemente o que estava acontecendo na época e qual é a situação no país nos últimos nove meses?**

As razões que levaram os militares a tomar o poder são as seguintes: a crescente insegurança que se espalhava por todas as regiões, a má gestão do governo, a impunidade, o clanismo, a pobreza. Todos esses males contribuem para manter o país em total dependência, enquanto o Níger está cheio de numerosas riquezas minerais que são desperdiçadas pelos imperialistas com o apoio dos líderes locais.

Assim que chegaram ao poder, os militares foram apoiados pela população, numa explosão patriótica motivada pela tão esperada revolução. Há nove meses, a situação no país mudou: os novos líderes nacionalizaram certos recursos minerais, a governança do país é transparente e as opiniões da população são levadas em conta, sendo que antes da chegada deles, a ditadura dominava tudo.

No plano diplomático, o Níger escolhe livremente seus parceiros. A insegurança está diminuindo, a tranquilidade reina no país, a população se sente mais segura com os militares, a cultura do civismo e do patriotismo é mantida entre todos os cidadãos. No entanto, o fechamento das fronteiras com a Nigéria e o Benim acarretou numa redução das transações e dos ganhos da população – porque o Níger não tem litoral –, bem como no aumento do preço dos produtos e dos gêneros alimentícios.

Você pode contextualizar este momento político e explicar por que razão essas revoltas militares gozam de tal apoio popular?

Enquanto houver uma má administração por parte dos governos, haverá golpes de Estado nos países africanos. Mas os golpes de Estado ocorridos no Mali, no Burkina Faso e no Níger são salvadores, libertadores. Eles têm apoio popular porque os três dirigentes introduziram em seu sistema de governo a ideia de patriotismo, de revolução, de refundação, de independência total dos três países, para expulsar o neocolonialismo.

Os três dirigentes provaram ao povo a pilhagem dos recursos naturais por parte da França e dos Estados Unidos, países que alegam ser ricos enquanto exploram os chamados países pobres, que não são de fato pobres, mas superexplorados. A riqueza dos nossos três países deixará de estar nas mãos dos imperialistas para ser controlada pelos dirigentes locais.

Para além da constante ameaça de um ataque militar das Forças Armadas dos países da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao), apoiado pela França na sua tentativa de retomar a exploração de urânio no Níger, o povo nigerino sofre as sanções aplicadas pelo país colonizador e pelos Estados Unidos. O que significam na prática essas sanções? Como elas afetaram o povo, especialmente as mulheres e pessoas do campo?

Foram impostas sanções injustas, desumanas e sádicas ao Níger. A ameaça de ataque militar da Cedeao e da França causou a falta de medicamentos nas farmácias – o que levou a muitas mortes –, quedas de energia intempestivas, escassez e alto custo dos produtos alimentares e limitou o deslocamento das populações.

Essas sanções afetaram mais as mulheres e os camponeses. O poder de compra dessas pessoas diminuiu devido à escassez e ao aumento do preço dos produtos de necessidade básica. Os cortes de energia e a falta de medicamentos nas farmácias forçaram as mulheres a dar à luz em condições deploráveis. A pobreza aumentou entre elas. Quanto às pessoas camponesas, a insegurança as impede de ir para os campos; algumas foram assassinadas lá; várias tiveram seus gados roubados. Houve um deslocamento maciço de famílias e são as mulheres e as crianças que se encontram sem abrigo, desprovidas dos seus bens.

A luta contra o imperialismo, o capitalismo e a soberania está profundamente enraizada no que aconteceu no Níger. Você pode falar sobre a luta popular no país hoje? Que papel desempenham as mulheres e as pessoas camponesas nessa luta pela soberania e pela paz?

A soberania do Níger está, de fato, profundamente enraizada em todos os cidadãos nigerinos, e essa luta continuará até a vitória final.

As mulheres estiveram na vanguarda de todas as lutas populares no Níger, de Kassai a Saraounia Mangou, passando pela histórica marcha de 13 de maio de 1992, quando as mulheres exigiram participar da conferência nacional soberana, até os acontecimentos de 26 de julho de 2023, quando as mulheres permaneceram dia e noite na Praça da Resistência. Foram as mulheres que forneceram comida e água fresca aos resistentes até que as tropas francesas partissem. As mulheres e as pessoas camponesas fizeram contribuições em dinheiro e em produtos para os fundos de solidariedade para a soberania do país.

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Triste dia para a classe trabalhadora.

@comunismo@lemmy.eco.br

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Eu menti, não tenho Netflix... Agora senta aí que vou te falar de algo chamado luta de classes.

@comunismo@lemmy.eco.br #comunismo

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Fidel Castro viajou para os Estados Unidos para participar da Asembléia Geral da ONU. A delegação cubana, evidentemente não era bem vinda no país e durante sua visita à cidade de Nova Iorque, temiam por sua segurança.

A delegação cubana mudou-se para o Hotel Theresa, bairro prediminantemente preto, após ter sido forçada a sair do Shelburne Hotel, pela quantidade absurda de dinheiro que foi exigida e em meio a uma campanha racista e difamatória. O convite para essa hospedagem, partiu diretamente de Malcolm.

Fidel disse:

"Eu sempre me lembro quando me encontrei com Malcolm X no Hotel Theresa, porque foi ele quem nos apoiou e tornou possível para nós sermos acomodados lá.

Tínhamos duas opções e uma era o próprio pátio das Nações Unidas. Quando contei isso ao secretário-geral, ele ficou horrorizado com a idéia de uma delegação acampando em tendas ali; e então recebemos a oferta de Malcolm X. Ele conversou com um dos nossos camaradas e eu disse: "Esse é o lugar, o Hotel Theresa" E lá fomos nós."

Depois desse encontro, o governo cubano convidou Malcolm insistentemente para fazer uma visita ao país, mas essa visita nunca aconteceu. Mesmo o jornal Muhammad Speaks, fundado por Malcolm e vinculado a Nação do Islã, fosse um forte apoiador da revolução cubana, na época Elijah Muhammad, não se agradou da aproximação de Malcolm com Fidel Castro.

@comunismo@lemmy.eco.br

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O ataque recente do Irã à Israel não significa que a ditadura iraniana presta algum tipo de solidariedade aos palestinos. O fato de Lula dizer que ocorre um genocídio em Gaza, não significa que ele está efetivamente do lado dos palestinos e dos ditos direitos humanos. É preciso acabar com o sionismo e com o estado de Israel. Por uma Palestina livre, laica e não racista, do rio ao mar!

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154 ANOS DE VLADIMIR LENIN

Hoje, exatamente há 154 anos, marca o nascimento de Vladimir Lênin, notável intelectual orgânico, o maior revolucionário do século XX. Ele foi o chefe do primeiro estado dos trabalhadores na história, e seu nome é corretamente sinônimo da revolução socialista mundial. Suas ações mudaram o curso da história do mundo.

Diferentemente de outros pensadores socialistas, os seguidores de Lenin, os bolcheviques, tiveram a coragem de implementar o socialismo derrubando o czarismo na Rússia. Em contrapartida, em agosto de 1914, os dirigentes da Internacional Socialista traíram a classe trabalhadora ao endossar a guerra imperialista.

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@comunismo

#vladimirlenin #revoluçãorussa #revoluçãodeoutubro #socialismo #partidobolchevique #uniãosoviética #urss #comunismo

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aqui estão as duas imagens que eu fiz

peguei a ideia das estrelas nos estados de um post no reddit, inverti o mapa e coloquei a foice e martelo do PCB pra dar mais charme kkkkkk

se alguém quiser os arquivos brutos ou imagens de maior qualidade me chama aí!

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Socialismo é ciência não suposição.

@comunismo

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pensamentos de paz durante um massacre.

https://youtube.com/watch?v=ck2CVdvIfKs

@comunismo@lemmy.eco.br

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Imagem de frimufilms no Freepik

Gente, boa noite, tudo certo? Eu tava pensando esses dias quais são as dinâmicas das criptomoedas numa sociedade socialista/comunista.

Elas, por padrão, não tem uma motivação necessariamente política, mas hoje em dia vemos que elas são usadas principalmente como investimento liberal, ou grupos relacionados.

Há algum texto que fale mais sobre esse tema? Eu acho que elas tem um grande potencial dentro de uma possível revolução, ainda mais entendendo como os atuais estados estão intrincados com as corporações burguesas. O que vocês acham?

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