this post was submitted on 24 Dec 2024
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Bate-Papo

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Uma comunidade para discussões gerais que não se encaixam nas previstas em outras.

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Como tornar a tecnologia divertida de novo?

Sonhamos por anos em ter algum instrumento dopaminérgico prático, que coubesse no bolso, para nos livrar do tédio, alguma minitelevisão portátil, sei lá! Agora que o temos, nunca mais teremos tédio, temos ansiedade coletiva.

Estou vendo aqui algumas propagandas de notebooks dos anos 90, 2000, 2010... Não me recordo de como era a usabilidade (deveria ser péssima!), mas lembro de como cada minuto em frente ao computador era precioso e deveria ser aproveitado ao máximo, até que algum parente fosse lhe tirar dali para abrir alguma sala de bate-papo ou fazer uma vídeo-chamada a mais pixelada possível.

A tecnologia eletrônica era divertida. Não era o protagonista de nossos dias, como o é hoje; era um convidado ― por isso era legal conviver com ela. Estaríamos com ela pela manhã, e talvez não a veríamos mais pela noite. Hoje a tela está estampado em todos os lugares, é a topmodel, é sobre quem mais se fala.

Acho que parte da estratégia de tentar tornar a tecnologia divertida passa pela ideia de torná-la um evento no cotidiano analógico: a hora de abrir o feed, a hora de ouvir um podcast, a hora de ler um livro digital. É o que tenho tentado fazer.

E você, o que tem feito para tornar a tecnologia divertida de novo?

@batepapo@lemmy.eco.br

all 21 comments
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[–] nelsonsantana@bertha.social 2 points 3 months ago (1 children)

@arlon @batepapo Pra mim, mudou muito quando entrei no fediverso e quando passei a querer "produzir" conteúdo. Uma mera postagem me tira da zona de consumidor.

Acho que a internet é interessante e divertida quando criamos e fazemos parte de criações coletivas.

[–] arlon@social.harpia.red 0 points 3 months ago (2 children)

@nelsonsantana@bertha.social @batepapo@lemmy.eco.br

Pra mim, mudou muito quando entrei no fediverso e quando passei a querer "produzir" conteúdo.

Mesma coisa comigo. Entrei no Jefferson, já comecei a me interessar por blogue, curadoria e compartilhamento de informações, internet artesanal etc. Enquanto estive em redes sociais comerciais, sim, eu produzia, mas na maior parte do tempo eu era um mero receptor.

Nota lateral: nunca curti muito essas expressões "produzir/consumir conteúdo", nenhuma dessas palavras para ser sincero, mas não sei o porquê dessa ojeriza irracional; também não sei por quais palavras eu poderia trocar.

[–] nelsonsantana@bertha.social 2 points 3 months ago

@arlon @batepapo É estranho mesmo. No offline, nós pintamos, aqui, produzimos pinturas. Lá, escutamos música, aqui, consumimos. Lá, escrevemos e aqui produzimos textos.

Acho que deve existir uma diferença poética entre agir e produzir o ato. Mas não consigo expressar agora como seria isso.

[–] althieme@bertha.social 1 points 3 months ago

@arlon @nelsonsantana @batepapo acho a discussão dos termos interessantes também.

Acho legal, pensando em algo mais artesanal, em CRIAR e APRECIAR.
e sair dessa lógica comercial da informação

[–] diegopds@bolha.us 2 points 3 months ago* (last edited 3 months ago) (1 children)

@arlon @batepapo

Os notebooks dos anos 1990 e 2000 eram precários: precisavam das famigeradas placas PCMCIA para conectar à linha telefônica ou à rede. Nos anos 2000 / início dos 2010 melhorou.

Sobre a ansiedade coletiva:

  1. Acredito que seja por conta da mudança, sem um tempo de amadurecimento no Brasil, da conexão discada para ADSL. Saltamos de um cenário em que a conexão era realizada apenas depois da meia-noite ou aos finais de semana para uma mais rápida e disponível 24 horas por dia. Conectar-se à internet não é mais um "evento".

  2. Os smartphones trouxeram a portabilidade unida à conectividade sem fio, que tirou aquele ritual de ligar o PC (o celular está sempre ligado), sentado numa cadeira e mais concentrado na navegação, bate-papo e discussões em fóruns. Agora, se faz isso enquanto se divide a atenção com outras tarefas. Da mesma forma, houve uma "appzação", que nivelou a todos com perfis dentro de redes engessadas ao invés de fomentar a criatividade e a experimentação dos blogs.

Acho que temos que retomar esses "rituais" como a "hora de..." que foram perdidos ou reduzidos. Para isso: maior controle sobre o hardware e software (complicado no caso dos smartphones).

[–] arlon@social.harpia.red 0 points 3 months ago (2 children)

@diegopds@bolha.us @batepapo@lemmy.eco.br

maior controle sobre o hardware e software (complicado no caso dos smartphones).

Já nem aposto mais nos telefones... Peguei um telefoninho de 200 reais com 5 polegadas e o transformei em dumbphone, fazendo um hardening ao ponto até de tirar as cores ― tanto para economizar a bateria como para torná-lo menos atraente. Só o uso para mandar mensagens, ouvir música, ouvir podcasts, eventualmente usar o mapa. Tenho utilizado redes sociais e visto vídeos só pelo computador. Ambos os aparelhos tornaram-se mais atraentes depois desse regime.

Bem, de certa forma procurei ter mais controle sobre o telefone, mas dentro de limites muito bem estabelecidos. Queria mesmo era entrar no mundo das custom ROM, mas isso requer um letramento que em cinco anos de Linux não tive ainda...

[–] althieme@bertha.social 1 points 3 months ago

@arlon @diegopds @batepapo nessa lógica de hardware, meu desejo de consumo atual é um celular com tela e-ink, também pra reduzir várias coisas no celular.
Ainda uso redes sociais, cada vez mais no fediverso e menos nas big techs.
Mas meu celular atualmente é pra ouvir podcast, ler e-book quando não tenho livro físico ou o Kindle por perto e manter contatos pessoais. (Ainda jogo um joguinho com geo localização, mas estou com um objetivo final pra ver se paro).
Mas acho que tenho uma boa relação

[–] humanista@mastodon.com.br 1 points 3 weeks ago

@arlon @batepapo não acho que essa coisa de hora disso, aquilo e etc, torna a tecnologia divertida de novo, disponibilidade sempre foi uma tendência porém limitada pela tecnologia da época, exemplo de um toca fitas ou dvd, vc teoricamente teria o dispositivo disponivel para usar a ora que quiser para reproduzir a mídia que vc desejasse, o limite sendo vc ter que ir em uma locadora ou loja para comprar o item de desejo.
Com a tecnologia atual nos resolvemos esse problema, e temos serviços com disponibilidade em tempo integral com acervos gigantescos, mas o problema central da tecnologia é que nós não vemos mais o que queremos, nos foi tirado a autonomia de ponderar sobre nossos desejos, buscar, explorar obras para consumir, e tudo isso foi entregue nas mãos dos tais "algoritmos", então eu não consumo algo quando eu quero, ou descanso quando eu quero, eu consumo quando e o quê a plataforma quer, e elas exigem consumo em tempo integral na maior parte das vezes coisas que nos não queremos consumir, somos alimentados a força para ficar em dia com a ultima tendência, numa lógica quase que se produtividade durante o ócio, gerando a ansiedade coletiva que você mencionou.

dito isso minha opinião sobre não é diminuir a disponibilidade dos serviços, mas dar um passo atrás nessa coisa de empurrar conteúdo ou o conteúdo ser disponibilizado de maneira orgânica, exemplo do fediverso, não é cuspido continuamente na minha cara postagens de pessoas desconhecidas que sabiam quais botões apertarem a beneficio de um certo comportamento, o conteúdo me é disponibilizado a medida de quem participa aqui tá disposto a produzir.

e obviamente tbm, tornar a vida real algo que possa ser prazeroso de aproveitar, tem essa dimensão que muita gente não aborda de pessoas se refugiarem no mundo fictício como escapismo dos horrores do mundo real, e isso acontece desde antes as telas, bem comum histórias de pessoas que tiveram uma etapa complicada na vida aí se afundaram nos livros por exemplo.

[–] SuperLazy 1 points 3 weeks ago

Relato Pessoal + Linux glaze

Acho que uma das coisas que tende a tornar a tecnologia divertida é quando você está no controle dela. Sou muito novo para ter vivido a pira do Windows 7 (18 aninhos), e quando comecei a usar um computador estávamos no Windows 10, e tipo, era essencialmente um bootloader para o chrome e steam e qualquer outra utilidade era meio que baixada em qualquer lugar aleatório, leitor de pdf, editor de texto etc.

Depois de um tempo, eu migrei para o Linux e acabei chegando no Arch, e nossa, a experiência do usuário era muito diferente. Eu sentia que a distro não era amigável, mas tudo que eu pedia para ela fazer, ela fazia da forma que eu queria, e tipo, quando eu comecei a fazer uns mini scripts no fish para algumas utilidades básicas, foi como estar descobrindo um mundinho novo. Shell, App Launchers etc, e tinham vários deles diferentes em filosofia e execução, e tipo, eu sentia que o sistema estava se tornando o meu sistema em que eu entedia como as aplicações dele interagiam entre si. Se eu precisasse de um pacote, bastava eu colocar pacman -S {nome do pacote}, e lá estava ele. A partir desse momento, Cada escolhazinha exótica que eu estava fazendo era muito divertida, envolvia um processo de pesquisar, ver pessoas online falando, e testar por mim mesmo, e não sei descrever o quanto que eu gosto disso. Eu sinto que nesse poonto minha interação com a tecnologia se tornou muito mais amigável, eu tinha controle e não estava sendo empurrado qualquer serviço aleatório.

Basicamente, o sentimento é mais ou menos como nesse vídeo aqui. Não gosto como o reddit conduz as atividades dele, me mudei para o lemmy porque espero que aqui eu tenha um pouco mais de controle sobre o que consumo.

[–] williamfonseca@bolha.us 1 points 3 months ago

@arlon @batepapo acabar com o Facebook e Youtube