Eu acho que ao usarmos o inglês para nos conectar com o mundo, acabamos atraindo muito a América do Norte e reforçando esse domínio que a América do Norte tem sobre o debate internacional, principalmente através da tecnologia.
Esse não é um problema muito brasileiro, já que vejo poucos brasileiros gravando material em inglês para alcançar o mundo, mas sim um problema mais europeu e indiano. Como vocês acham que é possível ultrapassar essa barreira no caso brasileiro? Gravar em espanhol afastaria os brasileiros do conteúdo, mas mesmo assim é necessária uma integração com a América Latina.
Como desfazer a posse que o inglês e a América do Norte tem sobre a cultura mundial (e da Internet)? Estou cansado das mesmas gírias e debates tão particularmente estadunidenses. Aprendi inglês para me comunicar com o mundo e hoje conheço a maioria das capitais dos EUA, mas tão pouco sobre o resto da América.
Finalmente, como ampliar esse debate além das Big Techs (também estadunidenses) para termos uma solução verdadeiramente soberana? O Google pode disponibilizar transcrições e traduções no seu conteúdo e nos vídeos do Youtube, mas como tomar posse dessa tecnologia para um debate além dos Estados Unidos? O que vocês acham?
Considero-me uma pessoa minimamente culta e admito que depois de várias leituras e algum tempo de reflexão a única opinião que levanto desta resposta tão eloquentemente composta é algaraviada.
Língua e linguagem são ferramentas do seu utilizador, servem-no, melhor ou pior quanto o seu domínio sobre elas.
A emergência do inglês como língua franca de facto terá a sua ligação a um pós guerra em que um país orientou de forma mais preponderante a política mundial e difundiu a sua cultura e produção cultural e tecnológica mais alargadamente mas é apenas pragmático adoptar uma língua que facilita o intercâmbio de ideias.
Se outras línguas se permitiram abastardar com estrangeirismos, venderam a sua identidade por nada.